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Esbardalhanço ou a Maior Vitória de Sempre

September 10, 2018

O Desafio

 

No dia 12 de junho de 2018 as ondas estavam pequenas, mas divertidas em Carcavelos, eramos os únicos no mar, sempre com o espírito de que o melhor surfista é o que se diverte mais. E nós somos sempre os melhores surfistas. Numa pausa entre set’s, enfim entre ondinhas fui perguntando aos meus alunos de surf senão achavam graça que nos candidatássemos ao 3º grande prémio da Red Bull, uma espécie de corrida de carrinhos de rolamentos temática que vinha pela 3º vez a Portugal. Era uma boa oportunidade de fazermos um projeto do zero. Tinha também este carácter pedagógico de mostrar que somos capazes de tudo, desde que estejamos dispostos a ir mais longe e a dedicarmos o nosso tempo.

Os surfistas na água acharam que era uma boa ideia. Penso hoje, que nenhum de nós estava bem a ver o desafio em nos estávamos a meter. Quando saí da água tratei de descobrir como nos candidatávamos e pedir à Red Bull que nos enviasse um kit participante.

No domingo seguinte reunimos no escritório da Associação Surf Social Wave e começamos a pensar o que podíamos apresentar como ideia. Para mim teria sempre de estar ligado ao mar. Mas o projeto não era meu era nosso e por isso fomos construindo em conjunto uma ideia. Essa ideia foi desenhada brilhantemente pela Ana que com o seu talento e o nosso incentivo nos apresentou a Moby.

 

 

1ª Vitória — Desafio Aceite

 

No dia 28 de junho recebemos o email de que tínhamos sidos selecionados para estar na grelha de partida no dia 9 de setembro. Sim o nosso projeto tinha sido selecionado era mesmo verdade. Quando voltamos a estar juntos desta vez numa formação em sala de aula, sobre empreendorismo começamos a desenhar como íamos superar este desafio, que parecia tão longínquo em outubro de 2017 quando começou o projeto Surf Social Wave, cujo principal objectivo é capacitar as pessoas através do surf. Sentamo-nos na mesa da sala de formação, medimos o tamanho que precisávamos para a nossa Moby, discutimos como a podíamos construir, que materiais poderíamos utilizar. Complicamos, descomplicamos, apresentamos ideias, desconstruímos ideias, construímos um projeto, planeamos os passos que tínhamos de realizar e determinamos logo aí que até ao fim de julho tínhamos de ter o chassi do carro construído. E dinheiro onde íamos arranjar o dinheiro para fazer isto tudo. Assumi, como sempre assumo que esse não era o problema, mas sei sempre que também é.

 

2ª Vitoria — Ajudar não custa e vale muito

 

Podemos chamar-lhe Karma, Deus, ou outra coisa qualquer com a qual nos sentimos bem, mas no fim conseguimos reunir os materiais necessários para o chassi. No caso através da ajuda estimável da Paula, mulher do Jorge, nosso participante, que disponibilizou todo o ferro que precisávamos, bem como a madeira para a base e ainda duas cadeiras de luxo para sentar o nosso piloto Bruno e a nossa copiloto Tânia.

O passo seguinte era construir a estrutura, soldar, bem entendido. Ditou o tempo quente no fim de julho que não o conseguíssemos fazer, sobretudo porque a minha “Zebrinha”, uma carrinha Traffic de 91 aquece com muita facilidade e por isso viagens acima dos 23º centigrados estão fora de questão. Assim conseguimos sem problema falhar o nosso primeiro deadline de finais de julho para ter pronto o chassi do carro. É sempre bom planear e falhar, obriga-nos a planear melhor da próxima vez.

E depois entrou agosto. Esse mês maravilhoso em que o mundo português está de férias. Paramos. Fomos de férias com a tranquilidade de quem sabe que está tudo sobre controlo e que duas semanas dão para tudo.

A meio de Agosto recebi a noticia que quem nos ia ajudar a soldar o chassi já não estava disponível e mesmo assim deixei correr o tempo sem sofrer muito com o tic-tac do relógio e sempre confiante que a solução estava mesmo á nossa mão.

 

 

3ª Vitória — Finalmente o Chassi

 

Quando finalmente regressamos já era dia 27 de Agosto e o dia 9 de Setembro estava mesmo aí. Depois de algumas tentativas recorri às redes sociais para “pedir recomendações” para soldar uma “peça”… e em menos de duas horas dois amigos meus, daqueles que conhecemos mesmo ofereceram a sua ajuda. O Michael “Massivo”, o melhor slackliner/trickliner português e top 10 do mundo, com quem estive no arranque do slackline em Portugal, é também um soldador de mão cheia, estava por esses dias a caminho da Europa à procura de oportunidades de trabalho e tinha uma janela de dois dias para nos ajudar, mas não tinha material, apenas know-how e disponibilidade. E depois o Ricardo, com quem tinha feito em criança muitas corridas de carrinho de rolamentos, muitos jogos de futebol, muitas espetas de bicicleta trouxe o João Paulo que tem uma fábrica, sim isso mesmo, uma fábrica que prontamente disponibilizou um espaço e material para soldar o que fosse necessário. 

 

 

 

E assim no dia seguinte fomos na “Zebrinha” eu o Michael e a Leonor para a Venda do Pinheiro com a Zebrinha a “bufar” com o calor. Chegamos depois de uma paragem técnica na 1ª bomba da A8. Soldamos com vontade. Senti-me confiante nesse momento que já estávamos lá no dia 9 de setembro com a Moby. Estávamos no dia 29 de Agosto e tínhamos o chassi.

 

 

 

Trabalho Duro — Construção Intensa

 

Nesse sábado juntamo-nos no meu escritório para começar a construção da Moby, eramos quatro pessoas nesse dia e 35 kilos de ferro soldado. Voltamos a pensar, trocar ideias, construir e ao fim do dia tínhamos o eixo de trás montado, a madeira colocada e umas 15 garrafas de plástico agarradas com fita cola do chinês a canas de pesca antigas.

 

 

 

Sim já se via ali uma baleia azul a esguichar água.

 

A semana seguinte foi de tardes e pedaços de noite a colar, montar, pintar, desmontar e voltar a montar. No domingo 2 de Setembro já tínhamos a espuma em cima das garrafas e das canas e já só faltava colocar as licras antigas de surf. Enfim foi uma tarefa mais difícil do que alguma vez imaginamos. A licra é elástica. Sim eu sei que todos sabemos isso. Mas na realidade não sabemos mesmo. E do meu lado só faltava a direção e o travão e as cadeiras e a buzina e o esguicha de água. Enfim praticamente nada.

 

E arrancamos assim para a derradeira semana, onde as 18 horas de formação que tinha para dar foram convertidas em on job training. E na realidade foram talvez 36 horas intensas muito para além do horário, sempre com dedicação e força de vontade e muita criatividade.

 

 

 

Quase

 

Na quinta-feira 6 de Setembro voltei à Fabrica do João Paulo com o Ricardo para fazer a ultima versão da direção que era a de um carrinho de esferas em modo super esteroides. Só que não. No dia seguinte, sexta-feira dia 7 de Setembro a menos de 24 horas de fazer o check-in é que a direção ficou resolvida. E o travão e as cadeiras. Faltava apenas a buzina e o esguicha. Por estes dias só me lembrava de um cartaz que tinha visto uma vez numa maratona que corri e que dizia “ Em junho parecia boa ideia”. Mas estávamos lá todos a ser resilientes, a remar uma vez mais para o outside, a levar caldos e sempre confiantes que a nossa onda perfeita vinha aí. Sem medos, nem hesitações.

 

 

5ª Vitoria — Ready to Rock and Roll

 

Dia 8 de Setembro pelas 16:00 fizemos o check-in no Parque Eduardo VII e ganhamos o 3º Grande Prémio da Red Bull. A nossa Moby tinha tudo o que era necessário para a corrida, era o projeto mais original, com a melhor história, construído como o planeta devia ser, de uma forma inclusiva, com entreajuda de pessoas que não se conheciam mas se juntaram em torno de um projeto comum, com materiais reciclados e com uma mensagem forte para todos os que tiveram o privilégio de a ver na televisão e ao vivo. A Moby é dos projetos mais espetaculares que já fiz e foi uma honra poder fazê-lo com a ANA, o BRUNO, a CLÁUDIA, a LEONOR, o JOÃO, o JORGE, o RUBEN, a TÂNIA. E que não teria sido possível sem a ajuda, do João Paulo, da Paula, do Michael, do Ricardo, da Beatriz, do Filipe e da Rita.

 

 

 

6º Vitoria e um Esbardalhanço

 

Dia 9 de Setembro foi um dia de nervos, de confusão, de exposição. A Moby era o número 35 nas partidas. 

 

 

Pelas 16:00 partimos em direção à grelha de partida confiantes, mas nervosos. A nossa Moby ia fazendo o seu grito de baleia e nós, com borboletas na barriga subimos para o palanque de onde íamos arrancar. Demos a nossa entrevista, fizemos a nossa apresentação que obteve 36 pontos em 40 possíveis. A Moby esguichou água e fez-se à pista, para se esbardalhar em frente à zona VIP do evento onde ficou até ao fim da corrida para deleite dos convidados da Red Bull. Nós saímos da Moby e corremos pista abaixo até à bandeira de xadrez. Ganhamos a nossa corrida, a suar e com as pernas a tremer.

 
 
Obrigado é a única palavra que nos resta dizer nesta crónica, do esbardalhanço com maior sabor a vitória que já demos.

 

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