Impacto e Desafios da Pandemia

O Filipe Alfaiate é um empreendedor premiado focado em países em desenvolvimento, consultor internacional na intersecção de negócios, governos e setor social, e palestrante, combinando uma carreira de 20 anos em mais de 30 países. Tem um MPA da Universidade de Harvard sendo apaixonado por usar o poder dos negócios para enfrentar problemas globais com impacto de forma sustentável. É Professor Adjunto da Nova SBE, membro do Centro de Liderança para o Conhecimento de Impacto, e leciona Sustentabilidade & Impacto, Empreendedorismo no contexto internacional e criação de valor compartilhado.


Durante o Programa Cascais Surf para a Empregabilidade veio dar uma sessão com o tema: From Problem to Business Case. No fim recolhemos este testemunho que partilhamos convosco.


ASSW: Que tipo de problemas identificas que possam surgir resultado da COVID 19 que irão necessitar de resposta da Sociedade Civil.


Filipe Alfaiate (FA): A Pandemia teve um impacto enorme no tecido produtivo profissional, nomeadamente nas PME’s ( Pequenas e Médias Empresas). Levou à paragem da atividade económica de maneira significativa, com uma recessão esperada já de 7%. Isso tem um impacto muito grande no setor produtivo português.


Penso que uma das áreas onde podem surgir muitas oportunidades de impacto social positivo, com uma capacidade híbrida de gerar rendimentos ao mesmo tempo que gera impacto positivo na sociedade portuguesa, tem a ver com a ligação a produtores nacionais, os chamados produtos locais desde queijo, animais, pecuária, presuntos, charcutaria, doçaria, que estavam alavancados no crescimento do turismo em grande medida, que são identitários, têm a ver com a identidade portuguesa e que, com esta restrição económica sem paralelos estão em perigo de desaparecer. E desaparecendo não se perdem só os empregos que geravam e o valor económico que traziam ao longo das suas cadeias, perde-se, também, uma parte muito importante daquilo que é a identidade portuguesa e parte do produto que nós oferecemos quando exportamos para o turista, que faz parte da nossa oferta, e que ficará muito minimizada se tudo o que se puder experimentar em Portugal for parecido com o que se consegue experimentar, estar, comer, beber e usufruir noutros países da Europa.



Portanto para manter a competitividade portuguesa em termos de turismo, vai ser necessário garantir a sobrevivência destas unidades de produção fundamental para a nossa gastronomia, mas, também, para o nosso turismo. Acho que há, aí, um lado muito importante que a sociedade civil pode ter a ajudar a criar ligações para o mercado destes produtores, a ajudar a criar cooperativas de consumidores em que os próprios consumidores, antes de receber o produto, já compraram o produto, gerando maior capacidade de fluxo de caixa para os produtores poderem fazer aquilo que precisam para chegar ao produto final.


A pandemia gerada pelo Covid-19 teve um impacto muito avassalador e em todas as áreas, mas escolheria esta como aquela em que vejo um grande impacto direto e imediato.

Desaparecendo o turismo e havendo uma restrição e limitação da procura portuguesa, eles não têm sítio para escoar produto porque não vendem diretamente ao consumidor, vai pelas cadeias de restauração. Mas são essenciais para nós e até para a economia e, confesso, que para mim tem mais a ver com a identidade. Preocupa-me que se perca muito estas coisas que têm a ver com o que nos faz portugueses. Essa é uma preocupação.

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